Uma salada com azeite pode saber muito bem. Mas chamar-lhe mediterrânica não transforma o resto da semana. A expressão descreve um padrão, não um ingrediente de prestígio: uma maneira de escolher, combinar e partilhar alimentos. A diferença importa quando chega a altura de decidir o jantar.
Nos princípios apresentados pela Direção-Geral da Saúde, os alimentos vegetais têm um lugar central: hortícolas, fruta, leguminosas, cereais pouco refinados e frutos oleaginosos. O azeite surge como principal gordura, o pescado tem presença regular e a água é a bebida de referência. A variedade faz parte da proposta, tal como a cozinha simples.
Isto pode traduzir-se numa sopa com feijão, num arroz acompanhado por hortícolas ou num prato de peixe com os acompanhamentos de que se gosta. São possibilidades, não uma ementa obrigatória. Também não é preciso importar ingredientes com nomes novos para dar espaço ao grão, à couve, ao pão ou à fruta da época.
Há ainda aquilo que uma fotografia do prato não mostra. A UNESCO destaca a partilha das refeições e dos saberes na descrição desta cultura alimentar. Uma panela partilhada pode ser uma imagem mais fiel do Mediterrâneo do que a procura de um alimento supostamente extraordinário.
A leitura mais útil é menos solene: olhar para o que se repete e abrir espaço para a diversidade. Não é necessário encenar um almoço de domingo todos os dias. Entre horários, orçamento e preferências, a pergunta pode ser esta: o que me apetece acrescentar à mesa para a tornar mais variada e mais minha?



