Aos 66 anos, Paul Tasner passou de uma carreira por conta de outrem à criação de uma empresa. Em 2011, cofundou a PulpWorks, nos Estados Unidos, para desenvolver embalagens de fibra moldada a partir de resíduos de papel e agrícolas. Não era um executivo a envelhecer no mesmo cargo: estava a começar um negócio próprio.

O ponto de partida, contou numa entrevista à Transitions Network publicada em 2026, foi um despedimento aos 64 anos. Seguiram-se dois anos de consultoria. Tasner aproveitou a experiência acumulada na indústria e nas embalagens, mas teve de aprender a ser fundador. Sem conseguir o financiamento para uma fábrica, alterou o modelo e procurou parceiros que assegurassem a produção.

Alan Patricof abriu outro capítulo ainda mais tarde. Em 2020, aos 85 anos, cofundou com Abby Miller Levy a Primetime Partners, uma sociedade de capital de risco dedicada a empresas que desenvolvem produtos e serviços para pessoas mais velhas. Já tinha fundado a Greycroft em 2006: desta vez, decidiu colocar o envelhecimento no centro do investimento.

No Senior Living Innovation Forum de 2024, Patricof explicou que a experiência de acompanhar a mulher com doença de Alzheimer lhe dera contacto com dificuldades de pessoas mais velhas e cuidadores. Segundo o relato do encontro, essa vivência, juntamente com a atenção insuficiente dos investidores àquele público, esteve na origem da nova empresa.

Os dois percursos não têm a mesma escala nem o mesmo ponto de partida. Tasner procurou um caminho após perder o emprego; Patricof chegou com décadas de experiência no investimento. Lidos em conjunto, mostram que começar depois dos 65 pode significar aproveitar conhecimento anterior, e não apagar a carreira passada.

São possibilidades documentadas, não uma promessa de sucesso nem prova de que empreender prolonga a vida. Uma empresa continua a exigir recursos, clientes e capacidade de enfrentar contratempos. Na conversa sobre longevidade, a conclusão mais útil é outra: deve haver espaço para escolher novos projetos — e igual respeito por quem prefere não transformar os anos seguintes em mais trabalho.