A palavra proteína pode ocupar a frente de uma embalagem, mas o nutriente não nasceu nessa embalagem. Existe em alimentos correntes, com sabores e usos diferentes. Em vez da promessa comercial, podemos começar pela cozinha: que alimentos me agradam e que possibilidades já tenho no frigorífico e na despensa?
A British Dietetic Association identifica fontes animais, como peixe, ovos, carne e laticínios, e fontes vegetais, incluindo leguminosas, tofu, tempeh, frutos oleaginosos e sementes. A proteína participa na construção e reparação muscular. Reconhecer estas funções não exige transformar cada refeição numa contagem, nem tornar todos os produtos enriquecidos uma compra obrigatória.
Lentilhas, ovos ou um iogurte podem ocupar momentos diferentes do dia. Não são equivalências nutricionais nem porções recomendadas: lembram que há vários caminhos alimentares. E uma refeição não termina na fonte de proteína; também há espaço para hortícolas, cereais, fruta e outros alimentos.
Mesmo no contexto desportivo, a BDA assinala que uma alimentação equilibrada, com energia suficiente, consegue habitualmente fornecer a proteína necessária. Os suplementos podem ter utilidade em situações específicas, mas não substituem o conjunto da alimentação. Quem pondera usá-los pode discutir a adequação com um nutricionista, sem partir do princípio de que são indispensáveis ou sempre inúteis.
No supermercado, o destaque dado a um nutriente é apenas parte da informação. Vale a pena considerar o produto completo, o preço, a conveniência e se apetece comê-lo. A proteína merece um lugar à mesa. Não precisa de ocupar a conversa inteira, nem de retirar prazer a uma escolha simples.



